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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

"O ABORTO" TRAGÉDIA NO ÙTERO


POEMA O ABORTO: TRAGÉDIA NO ÚTERO
(Em 6 partes)





1ª PARTE

Ele é do Ceará... Solto de um grande laço
Que estava a lhe amarrar
— encantada beleza
E as puras a sós ele descobre,
andam com a turma de amantes em Fortaleza...

Ele é do Ceará... E de tanta alegria
Elas pulam como bola de couro
E o ar oferece um clima de paz
Onde acontece um límpido namoro.

Ele é do Ceará... Dois irmãos gêmeos
Ali se desenlaçam de um abraço sem engano
À luz do dia essa cena nós os assistimos
Mas qual dos dois é o Léo? Qual é o Luciano?

Ele é do Ceará... E algumas belas sorriem
Ao fazer das cartas românticas umas fogueirinhas
E ainda finge ter amor pelos seus parceiros
E são convencidas que estão bem certinhas...

E do jeito que está não pode continuar
Facilmente elas encontram clínicas clandestinas
Para abortarem seus fetos e não querem
Nem saber se eles iam ser meninos ou meninas.

Mal e infeliz quem ali naquela hora
Pode sentir naquela clínica a felicidade
Embaixo — o bar... Em cima — o apartamento
E no bar — e na clínica — a gravidade.

Oh! Que brutalidade fazem no útero daquela mulher
Ai que zoada silenciosa lá dentro entoa!
Senhor meu! Ó povo que não tem coração
Que simplesmente interrompem o embrião
De desenvolver-se normalmente numa boa.

Homens da lei! Pedimos aos senhores que punam
Com rigor os criminosos e os vagabundos
E que também desvaneçam as mulheres
Ansiosas pra praticarem o aborto,
Para que elas deixem seus filhos virem ao mundo.

Ajam bem ligeiro! Bem ligeiro! E não deixem mais
Acontecer essas barbáries e impunes covardias
Porque desmanchado é o lar que finge estar numa boa
E os fetos que eram para nascer crianças sadias.

Por que faz assim, gente desordeira?
Por que insiste fazer esta faceta?
Ah! Se eu pudesse levar-lhe ao médico
Antes que esta loucura você cometa.

Não se engane! Não se engane! Dona de desengano
Você que envolve as cegonhas entre as sagas
Não sucumba as pernas pra se envolver neste cambalacho
Não se engane! Não se engane! E se livra desse fracasso.

2ª Parte
Que importava àquela mulher o fruto do seu ventre?
De que jeito ia ser aquela criança e como ia se chamar?
Teria que amá-la e ter tido esperança
Que o tempo traria à hora dela chegar
Deveria ter esperado que à noite passasse a neblina
E devagarzinho embalaria, e daria a mama pra menina.
Como outras mães fazem com os seus bebezinhos mongóis
E um mês depois dão também o mingau de maisena
E toda noite ainda rezam o terço e tiram à novena
Sempre na boa intenção de todos nós.

No futebol poderia entrar em cena
Contratada por grande valor
Há moças que jogam no Barbacena
Com as luvas de jogador.
Vai estudar na França um jovem inteligente
E todo mês manda para mãe um lindo presente
- Que encerra a dor na paixão
E do seu genitor tem bons traços
Que lembra Santos Dumont no espaço
No seu belíssimo e dirigível balão.

E dos brasileiros serenos
Que a vida idônea os aceitou
Bons diplomatas nós queremos
Pelo amor que Deus nos doou
Homens que filhas criaram
Não regaram todo o Saara?
Temos preces que Rui Barbosa
Escreveu quando tirou o chapéu,
Astronautas pisaram na lua clara
Desviaram-se através da NASA
De toas estrelas no céu.

No nono mês um filho brioso que ia nascer no Brasil
Mas no ano setenta aquela mulher o abortou.
E foi justamente no dia 21 de abril
Na hora que em (Vila Rica ao Tiradentes o povo enforcou)
Ele ia ser tão rico de saber, que para os leigos seria a escória.
Saberia tanto, que mudaria o rumo da nossa História.
Porém um falso “ginecologista” o impediu de vir
E um outro rei do gado achava que ia ser o pai do menino
Constrangeu-se tanto que mandou tanger os touros do gramado
E um dos seus vaqueiros muito desconfiado resolveu fugir.
3ª PARTE

Cresce nos braços o censo, ó filho sul-americano!
Aumenta mais, muito mais a contagem do ser humano.
Eu sei que tu já sabes nadar na praia do Arpoador
Olha o que vejo ali... Um quadro de ternuras!
Que vista sensacional... Que lindas criaturas
Com o lema muito especial, ame e seja gentil...
Senhor meu! Senhor meu! Que grande louvor.

Para ouvir o Poeta Valdir Santiago declamar a 4ª PARTE

Era o Tonho super alegre... Dava o laço no fitilho
Enquanto a mulher botava a fantasia no pequeno filho
A filha no portão velho a namorar...

Ringir de ferros... Estalar de beijos...
Com um rapaz que gostava muito de queijo
Mas só comia sem mastigar...

Lindas mulheres segurando os seios
Saudáveis crianças, cujas bocas cheias.
Mamavam nas tetas das mães.

Muitas jovens... Porém despidas, encantadas.
Por um milhão de espectadores admirados
De infância sem mágoa e de muitos fãs.

E tocava a orquestra pra turma da Mônica dançar contente
E o Fantástico urgente
Da Guerra do Golfo anunciava a paz...

Naquela hora o velho pelejava... E o coração se abalava
Ouviam-se gemidos... Depois alguém falava
Esse velho é demais...

Uma princesa na praia pela água rasa passeava
E um garotão vinha lá da areia
E abraçava-a e beijava-a ali!

Ela nem respirava, ele estremecia.
Outro garotão de inveja entristecia
E de frente pra eles xixi fazia!

No entanto o garotão mandava o outro ir embora
Mas ele olhava para aquela senhora
Tão burro ainda queria brigar!

Dizia o Bruno, bastante tenso, vá ligeiro.
Já fez seu mijo, pixote encrenqueiro.
Senão, você pode se borrar!...

E tocava a orquestra novamente e outro da roda dizia:
Você é fantástico garoto decente
Eu sei do que você seria capaz!

E o mijão resolveu sair numa boa
E uma turma gritava lá detrás: desaparece cara de broa
E a princesa dizia: obrigada São Braz.
Aquela mulher arrependida por ter praticado o aborto!
Pediu perdão do próprio pecado seu
Pois ela queria ser realmente torturada
Para pagar o terrível pecado que cometeu...
Ó Amor, porque não acabas.
Com as lisonjas dessa praga
Pelo seu Santo Coração?...
Castos açoitem-me sem piedade
Continuai nas suas castidades
Pelos lares urbanos e do sertão!...

De quem foram aqueles abortados
Que não desfrutam da vida entre nós
Nem puderam sentir-se salvos das luvas
De quem exercitaram a penúria atroz?
De quem são?... Se muitos já enterram
Jogaram logo na pequena vala e nem velaram
E ainda se justificam os safados vulgares
Que durante a transa tanto abusam
E a AIDS está aí nem preservam a miniblusa
E ainda usam a violência nos dias atuais.

Foram dos “amantes” que optaram pelo aborto
Pois as mulheres não deram à luz
Preferiram que os filhos fossem mortos
Antes que eles nascessem nus
Alguns poderiam ser... Ladrões aprisionados
Enquanto outros poderiam ser... Superdotados
E todos queriam nascer
Mais cedo ou mais tarde
O que eles seriam nós iríamos saber
Agora não tem mais jeito, já estão mesmo debaixo do chão.
Sem verem a luz, sem pisarem na areia e sem terem um irmão.

Agora são mulheres atormentadas
Como muitos homens são também
Porque não cederam o direito das vidas sagradas
Muito medo... Muito medo... Eles têm
E fazem inibidos rastros
Por não terem os filhos, perderam os laços.
E não há calma só há lástimas da lua-de-mel
E sem acharem alento em nenhum canto
Não podem representar o Papai Noel.

Para ouvir o poeta Valdir Santiago declamar a continuação da 5ª Parte - 2- tempo
Como é que praticam o aborto ainda
Impedindo alguém de ser feliz
Poderia nascer uma criança linda
E ser um bom ator ou uma boa atriz
Se depois de uma semana
Não manchar de sangue a colcha da cama
Cisma que engravidou naquela transa
... Oh meu! Me conte! Me conte!
...Oh meu! Está com dor na fonte!...
...Oh meu! Eu não vou ter um filho seu.

Depois o material propenso...
Depois gases e uma tesoura só...
Depois um barbante imenso
Bem de parto... Dando um nó...
E a dor, o inchaço, vê-de.
Ai! Quanto é pequeno e verde
E sai pra não mais se ver
Cava um buraco na areia
Passa mal e cambaleia
E enterra o corpo que ia nascer.

Ontem a cena da falsidade
A verdade não se pode ver
Hoje... Cúmulo da deslealdade
Nem tiveram o direito de nascer
Presos na mesma tormenta
— Enferrujada a tesoura atenta
Com as moscas da podridão
E sempre calados pela morte
Mas dançam os que tiveram sorte
Ao som da música com razão.

Ontem a terra era boa
Antes da ingratidão
Nos sonhos que eles voam
Na beleza da imensidão
Hoje... O irmão tem medo profundo
Inédito, acordado, se sente imundo.
Por não o ter querido resgatar...
Sonha sempre com o abortado
E acorda com o choro do enterrado
Que queria nascer pra te amar.
Senhor meu e dos abortados!
Falai-me vós, Senhor meu!
Se retiro-me do meio dessa maldade
Com tanto terror diante dos olhos seus...
Ó Amor, por que não acabas.
Com as lisonjas dessa praga
Pelo seu Santo Coração?
Castos açoitem-me sem piedade!
Continuai nas suas castidades!
Pelos lares urbanos e do sertão!

Existe gente que de parteira se presta
Pra servir com muita ganância e tirania...
E si aceita a propagar-se cobrindo a testa
Num canto escuro com bastante covardia...
Senhor meu! Senhor meu!Mas que parteira é esta
Que imprudente a vida sempre repudia?
Há três milênios!... E ninguém se acusa, rola tanto.
Tanto que o gavião usa o bico em todo canto.

Bote fé meu irmão, que venceremos essa guerra.
Pedimos-te, não vacile e reanime-se com esperança.
Que aí vem o baluarte que à luz do sol espera
E quem não tropeça nessa vinda, sem dúvida alcança.
Jesus é quem nos ilumina, vamos vencer essas trevas.
Nós fomos avisados, pra não usar dois pesos na balança.
Então ganharemos mais essa batalha
Porque não seguiremos nenhum canalha.

Agora resplandece a paz, pois se acabou a farsa.
Então carece dizer logo pra todo mundo
Que o malfeitor levou um grande tombo
E o arco-íris embebeu-se do tal imundo
Mas foi luta demais... Para a eterna vaga
Reanimai-vos porque já temos novo rumo
Andai! E de toda criancinha recém-chegada
Cortai o cordão umbilical e jogai nos mares
E para ver as cores do arco-íris
Abra as portas dos seus lares.

Do primeiro livro: Sensibilidade em gotas – Poesias.
Autor: Poeta Valdir Santiago.